browser icon
Você está usando uma versão insegura do seu navegador web. Por favor atualize seu navegado!
Usando um navegador desatualizado torna seu computador inseguro. Para mais segurança, velocidade, uma experiência mais agradável, atualize o seu navegador hoje ou tente um novo navegador.

[do leitor] Jornalismo de verdade sobre Cuba

Posted by on março 12, 2012

A postagem de hoje é uma contribuição do leitor Alexandre Haubrich, jornalista e editor do blog Jornalismo B.

Cospem em nós, e os jornais dizem: chove”. Assim escreveu Eduardo Galeano. Esqueceu de contar que, quando chove, alimentando a plantação, os jornais dizem: cospem. A deseducação é a tarefa cumprida pelos donos da mídia a serviço dos donos do mundo. E os ataques aos bastiões de defesa popular são estratégia básica. Sobre Cuba, por exemplo, a velha mídia brasileira mente, distorce e omite. Entrevista Yoani Sánchez, blogueira desmascarada dia após dia. Não entrevista o povo, não fala sobre o criminoso bloqueio econômico perpetrado pelo governo norte-americano, não fala sobre os cinco prisioneiros políticos cubanos trancafiados nos EUA.

Há pouco tempo vem surgindo a internet (cada vez mais popular) como alternativa para furar o outro bloqueio sofrido por Cuba: o bloqueio midiático. Mas em 1976 não era assim, e Fernando Morais foi um dos próceres dessa grande derrubada de muros que é a chegada de informações reais sobre Cuba. O livro A Ilha é a mais importante obra de um brasileiro sobre o governo revolucionário e o povo cubano, e foi publicado no Brasil quando a repressão da Ditadura Militar ainda estava em alta.

A obra dialoga perfeitamente com o mais recente livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da Guerra Fria, onde o escritor toca em um dos temas que parecem proibidos por aqui – sim, ainda há censura no Brasil, mas ela é, sobretudo, a censura do dinheiro: os cinco cubanos que são presos políticos nos EUA.

Os últimos soldados é escrito com a sensibilidade à flor da pele, retratando os personagens como os seres humanos complexos que são, personagens “redondos”, com fraquezas, fortalezas, defeitos e qualidades. E os insere em um contexto de agressão à Cuba partindo sempre de Miami, sob as barbas do governo norte-americano e, não raro, com apoio da CIA.

O livro complementa A Ilha no sentido de que ultrapassa as fronteiras de Cuba sem ignorar a experiência do povo cubano, enquanto a obra de 1976 é um retrato impressionante e cheio de detalhes da vida desse povo. Se A Ilha retrata uma população que, mesmo nas dificuldades, luta por sua revolução e por sua sobrevivência, Os últimos soldados da Guerra Fria mostra o desrespeito norte-americano à soberania dos cubanos e os riscos a que estes se submetem para defender o que conquistaram.

Nos dois livros, Fernando Morais faz um registro histórico da Revolução Cubana em todo o seu significado – as conquistas do povo cubano e a afronta à ordem capitalista encabeçada pelo governo norte-americano. E mostra que o jornalismo pode, sim, ir além do fugaz e pode, sim, ir além das obviedades.

Se você gostou do texto, não deixe de acessar o blog Jornalismo B e se inteirar da campanha do Jornalismo B Impresso, que está buscando apoio dos seus leitores e simpatizantes para garatir sua tiragem em 2012.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

*
To prove you're a person (not a spam script), type the security word shown in the picture. Click on the picture to hear an audio file of the word.
Anti-spam image