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Quatro livros indispensáveis sobre Bob Dylan

Posted by on fevereiro 27, 2012

Uma das recentes notícias mais bem recebidas pelos fãs da música popular e do rock and roll é a vinda de Bob Dylan ao Brasil em 2012. O septuagenário músico vai se apresentar em Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro durante o mês de abril.

Os setenta anos de Bob Dylan se confundem com a história do próprio rock e da música popular norte-america. Para desvendar essa esfinge em permanente mutação, a Letras & Cia. selecionou quatro dos melhores e mais importante livros sobre Dylan, para você conhecer mais a fundo a vida e a obra do aclamado compositor.

No direction home: a vida e a música de Bob Dylan

Autor: Robert Shelton. Editora: Larousse do Brasil .

Robert Shelton foi por muitos anos o único jornalista liberado pelo próprio Dylan a acompanhá-lo de perto. Tal simpatia foi conquistada a partir de um artigo de Shelton para o sisudo The New York Times que acabou por apresentar o compositor e cantor para uma larga audiência quando ele ainda era um desconhecido músico da cena folk do Village.

O livro acompanha a carreira e a vida de Bob Dylan, comentando seus principais discos e também apresentando comentários de outros músicos sobre ele. Além disso, o livro conta com algo que falta em outras biografias do cantor: variados depoimentos do próprio Dylan.

Trecho

“Ah, eu adoraria dizer que sou um poeta. Gostaria mesmo de pensar em mim mesmo como um poeta, mas não posso, por causa de todas essas pessoas odiosas que são chamadas de poetas.” Quem era poeta então? Allen Ginsberg? “Ele é um poeta”, Dylan disparou. “Ser poeta não implica necessariamente que se deva escrever palavras no papel. Entende o que eu estou dizendo? Um daqueles motoristas de caminhão que desce as escadas de um motel é poeta. Quer dizer, ele fala como um poeta, o que mais um poeta precisa fazer? Os poetas”, a voz dele ficou suspensa no ar em meio a formulações vagas, as ideias fluindo rápido demais para a língua. “Poetas, velhos, morte, decomposição, pessoas como Robert Frost poetizam com árvores e galhos, mas não é isso o que eu quero dizer. Allen Ginsberg é o único escritor que eu conheço. Eu não respeito tanto assim os outros escritores. Se eles realmente quiserem fazê‑lo, precisarão cantar. Eu não diria que sou um poeta pelos mesmos motivos que não diria que sou um cantor de protesto. Tudo que isso faria seria me inserir em uma categoria com um monte de pessoas que só me importunariam. Não quero estar na categoria delas. Não quero enganar ninguém. Dizer a qualquer um que eu sou um poeta seria enganar as pessoas. Isso me colocaria numa classe, cara, com pessoas como Carl Sandburg, T. S. Eliot, Stephen Spender e Rupert Brooke. Ei, dê nome aos bois — Edna St. Vincent Millay e Robert Louis Stevenson e Edgar Allan Poe e Robert Lowell.”

Bob Dylan – Gravações Comentadas & Discografia Completa

Autor: Brian Hilton. Editora: Larousse do Brasil .

Se o que você quer mesmo é percorrer as várias reentrâncias da obra do músico, esse livro será um mapa de grande utilidade. O autor, Brian Hilton, é musicólogo e poeta, autor de três livros de versos. Ele guiará você através de todos os álbuns oficiais e colaborações artísticas, oferecendo dados como data de lançamento, créditos, tempo de duração de cada faixa, músicos e também comentários sobre cada uma das músicas. Há também uma lista das primeiras transferências para CD de cada álbum e uma relação de compactos nos formatos 45 rotações, 12 polegadas e CD.

Trecho

Like A Rolling Stone (Dylan) 6:11 – Uma cena central de Don’t Look Back retrata Dylan admirando candidamente as guitarras da vitrine de uma loja em Londres. Tendo supostamente decidido plugar sua carreira musical, ele escreveu “apenas uma base no papel… dirigida a algum ponto que era honesto” e a transformou, com algum tipo de alquimia, em seu primeiro número 1 nos EUA, apesar de algumas das primeiras cópias promocionais trazerem uma versão cortada pela metade antes da intervenção de Dylan. “Eu e minha esposa vivíamos numa cabana em Woodstock, que alugamos da mãe de Peter Yarrow. Escrevi a canção lá. Tínhamos chegado de Nova York e passaríamos uns três dias por lá resolvendo uns lances. Ela simplesmente veio, sabe, ela começou com o riff de La Bamba”.

 

Like a Rolling Stone: Bob Dylan na encruzilhada

Autor: Greil Marcus. Editora: Companhia das Letras.

Esse livro costuma ser apresentado como “a biografia de uma música”. E não deixa de ser. O aclamado crítico musical Greil Marcus tenta nos colocar dentro do estúdio onde Like a Rolling Stone foi gravada para analisar acorde por acorde, instrumento por instrumento, timbre por timbre a canção-símbolo de Bob Dylan. Marcus ainda se aventura em trilhar os caminhos dessa música para o público, desde seu nascimento até sua repercussão nos dias de hoje, observando suas sucessivas ressignificações.

Considerado um bom livro para quem já conhece um pouco da obra de Bob Dylan, o livro de Greil Marcus é também bastante rico em contextualiações históricas e políticas.

Trecho

“Todos se lembram de onde estavam quando ouviram que Kennedy fora assassinado. Eu gostaria de saber quantas pessoas se lembram de onde estavam quando ouviram pela primeira vez a voz de Bob Dylan. Ela é tão inesperada.” Assim me disse um amigo há um ou dois anos. Comecei a pensar em como o mundo ainda parecia estar se recuperando de Time Out of Mind de Dylan, que aparecera em 1997 — ou como o mundo ainda poderia estar ficando para trás dele. Talvez até o próprio Dylan, com seu Love and Theft, de 2001. Era uma reunião de canções tão bem‑acabadas que, comparada aos confins americanos dispersos de Time Out of Mind — com vários lugares mencionados, Missouri, por exemplo, Chicago, Boston, New Orleans, mas todos ainda assim flutuando livres de qualquer mapa, com a música tão furiosa que parecia um novo buraco negro aberto antes mesmo de o anterior ter sido tapado —, Love and Theft poderia parecer um retrocesso. Uma retirada do campo de batalha, uma saída do trem.

Bob Dylan (Taschen, série Music Icons).

“O que mais importa na música de Dylan é como ele canta e não o quê ele canta”, disse certa vez John Lennon em uma entrevista para a Rolling Stone, surpreendendo o repórter e toda o público, que estava mesmo era espantado com as qualidades de compositor – e menos de cantor – daquele jovem que então estava despontando.

No entanto, oculto atrás de suas letras, a voz e o visual de Bob Dylan invadiam as páginas de jornal e revistas de todo o mundo durante os anos 1960. A figura franzina e desgrenhada de Dylan completava um paradoxo de voz firme e letras forte. Vaidoso, o músico então pousava para as fotos e faz questão de construir um visual esteticamente distinto e visivelmente caro para chocar os humildes fãs que o seguiam como o representante maior da música de protesto norte-americana.

O livro da série Music Icons possibilita ao leitor um belo passeio pelas diversas fases do compositor, captando muito bem o espírito de cada uma, coisa que poucos livros conseguiram fazer.

 

One Response to Quatro livros indispensáveis sobre Bob Dylan

  1. Thais

    Me gustaria todos!

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