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A revisora da cultura alemã nos trópicos

Posted by on setembro 15, 2011

Hoje a autora gaúcha Lya Luft completa hoje 73 anos. A data, posicionada entre o federal 07 de setembro e o estadual 20 de setembro, deve ter sido uma das molas propulsoras que fizeram da tradutora e escritora uma sagaz questionadora de sua identidade.

Nascida em Santa Cruz do Sul, cidade de tradicional colonização alemã, o pequena Lya já estranhava na infância o fato de comemorar o dia da pátria quando, dentro de sua casa, gabavam-se da origem européia da família. Leitora precoce de poetas alemães e de contos de fadas nórdicos, a literatura logo a estimulou a se tornar uma filha “rebelde”, apesar da “rebeldia” representar aqui pequenas contravenções dentro do esquema familiar altamente rígido.

Sendo assim, fazer perguntas indiscretas, não aprender a cozinhar e deixar a cama desarrumada já eram provas suficientes de que a filha deveria ser levada para um severo internato. Foi o que sua mãe providenciou fazer no início da sua adolescência, ainda que seu pai deu um jeito de buscá-la apenas três meses depois.

Autora de best sellers como Perdas e Ganhos (ed. Record, 128 p., R$ 29,90)  e A riqueza do mundo (ed. Record, 272 p., R$ 34,90) a escritora é também colunista da revista Veja. Selecionamos abaixo algumas frases de entrevistas de Lya Luft para pensar as questões de identidade, brasilidade e cultura germânica:

Em geral eu digo que alemão fica bom depois de algumas gerações amaciando no Brasil.

Na minha família se falava “nós, os alemães, e eles, os brasileiros”. Isso era uma loucura, porque nós estávamos há gerações no Brasil.

Um dia, com 7 ou 8 anos, numa Semana da Pátria, me dei conta: “Por que falam ”die Brasilianer und wir”?”. Eu quero ser brasileira.

Sou tão brasileira quanto qualquer negra de origem africana que vende acarajé nas ruas de Salvador.

Eu nunca concordei com essa afirmação generalizada no Brasil que diz “vocês lá no Sul nem são bem brasileiros, vocês são meio europeus”. Isso não me elogia em nada, eu não quero ser européia. Não é um elogio. É um distanciamento e uma coisa pejorativa.

Tenho muito respeito e há uma raiz minha germânica, ligada à cultura e à educação, que me agrada. Agora, há uma certa arrogância e um preconceito que me desagradam. E um sentimento excessivo e rígido de dever. Mas eu não sou por cortar raízes ou renegar tradições.

Algo dessa cultura alemã pode ter me influenciado e influencia até hoje, claro. Não sei em quê.

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