Acontece quase todo dia: alguém entra na livraria e pergunta
“qual é o melhor livro de viagem que vocês tem?”. Pois resolvemos levar a questão para um especialista. Fomos procurar Zizo Asnis para saber quais os livros que mais o estimularam (ou ainda seguem estimulando) a viajar.
Não poderíamos ter feito melhor escolha. Asnis é referência para mochileiros de todo o Brasil e conseguiu construir sua vida em torno das idas e vindas pela estrada. Hoje Zizo comanda a bem estruturada editora O Viajante, especialista em guias e livros de viagem, além de ter um ótimo portal sobre o tema na internet.
Curta aí então a seleção de quem tem muitos quilômetros de leitura – e estrada! – na bagagem:
O último lugar da terra, de Roland Huntford (Companhia das Letras, 736pp, R$ 82,00)
Zizo Asnis: “Uma provocante disputa entre os últimos grandes conquistadores do planeta, repleta de ensinamentos.”
Fruto de uma vasta pesquisa historiográfica, o livro de Huntford reconstrói a jornada de dois exploradores até o pólo Sul, no início do século XX. O último lugar… conta, com uma verve narrativa comparável aos melhores romances de aventura, a trajetória e os motivos do fracasso e do sucesso das duas expedições que tiveram destinos completamente diferentes.
O grande bazar ferroviário, de Paul Theroux (Objetiva, 453 pp, R$ 63,90)
Zizo Asnis: “O livro clássico do mais clássico dos autores da literatura de viagem, em sua mítica jornada de trem pela Ásia.”
O olhar profundo e ferino de Paul Theroux em sua longa jornada ferroviária desde a Inglaterra até o Japão, por meio dos clássico expressos do Oriente e Transiberiano. A galeria de histórias e personagens de O Grande Bazar… acaba se tornado um brilhante documento sobre o Oriente visto por olhos ocidentais.
Na natureza selvagem, de Jon Krakauer (Companhia das Letras, 214 pp, R$ 47,00)
Zizo Asnis: “A dramática história de um insubmisso jovem americano revela o lado B de uma aventura mal-planejada.”
Um dos mais procurados livros de viagem da atualidade, Na natureza selvagem ganhou grande popularidade ao ir para as telas de cinema sob direção de Sean Penn e trilha sonora de Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam). O livro é fruto de uma completa pesquisa jornalística de Jon Krakauer sobre a vida do jovem Christopher McCandless, que rebatizou a si mesmo como Alexander Supertramp em sua jornada pela natureza selvagem do seu país e de si mesmo.
Ébano, minha vida na África, Ryszard Kapuscinski (Companhia das Letras, 360 pp, R$ 61,50)
Zizo Asnis: “Um jornalista polonês descortina e nos apresenta o continente negro.”
Ainda pouco conhecido no Brasil, Ryszard Kapuscinski foi um dos jornalistas aventureiros mais bem sucedidos do mundo. Com dezenas de livros lançados e traduzidos em diversos idiomas, Ébano foi escrito a partir de viagens por países como Angola, Gana, Nigéria, Tanzânia, Somália, Eritréia, Ruanda durante os 40 anos em que viveu na África.
Uma estrada para o Chile, Alberto Schwanke (O viajante, 168 pp, esgotado)
Zizo Asnis: “Um escritor gaúcho mostra que uma pequena viagem pode render um divertido e bem escrito relato.”
A busca por um vinho importado acaba servindo de pretexto para Alberto Schwanke pegar a estrada rumo ao Chile. A aventura rendeu esse bem humorado livro, que rapidamente se tornou um dos destaques da literatura de viagem produzida no Brasil.
E só para constar “Dos sonhos e seus efeitos colaterais” de Felipe Longhi Malheiro (maisQnada editora, 184p, R$30)
Airton Ortiz “Este livro é o resultado prático da sua vivência do outro lado do mundo. As lições de virtude que ele passa são o ponto alto da narrativa…Dito assim até parece que a realização do Felipe foi algo convencional, que todos que viajam para o exterior acabam voltando enriquecidos com a experiência. Ah, quem dera fosse assim. Mas não é, e desde os tempos de Sócrates. Por isso, temos em mãos um livro especial, que merece ser lido. Um livro, digamos, pós-socrático”
Neste livro o autor busca a realização de um sonho de muleque, jogar futebol. Seu momento chega aos 25 anos, formado em Direito, mas com o sonho a sua frente. Nova Zelândia o destino, futebol, surf, caminha, bike, trips, e uma formidável teoria formulada ao final do livro. Eis Dos sonhos e seus efeitos colaterais.
Há uma longa estrada a ser vencida no livro “Zen e a arte da manutenção de motocicletas” do estadunidense Robert Pirsig. Baita road book.
Quantos viajantes não deveriam confrontar-se com Amir Klink em “Cem dias entre céu e mar”?
Contribuições.
Agora que fui ver que passamos a ter os preços nos posts o/
Esses livros de viagem são uma maldade, assim como os bons filmes de viagem. Dão uma vontade pré-insalubre de largar tudo e sair sem rumo – ou com um rumo só, a rua – por aí.